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Reigi — 礼儀 no dōjō: tradição, cerimônia e caminho

Foto del escritor: David Tapia López
David Tapia López
8 sept
7 min de lectura

Actualizado: 9 sept

Ler em: Español → · Português


Reigi no dōjō: do respeito individual à comunidade


O Reigi não termina na saudação nem na maneira como tratamos nossos companheiros durante a prática.


Ele também vive nas pequenas ações que constroem a cultura de um dōjō: como cuidamos do espaço, como começamos e terminamos uma aula, como reconhecemos aqueles que percorrem o caminho ao nosso lado e como preservamos aquilo que recebemos.


Nesta segunda parte, exploraremos o Reigi no dōjō: quando o respeito deixa de ser apenas uma conduta individual e se transforma em tradição, cerimônia e comunidade.


Practicantes de 4th Axis Jiu-Jitsu en seiza frente al Shōmen durante el saludo tradicional del dojo, como expresión de Reigi, respeto, tradición y comunidad.
Praticantes da 4th Axis Jiu-Jitsu em seiza diante do Shōmen durante a saudação tradicional do dōjō, como expressão de Reigi, respeito, tradição e comunidade.


Sōji — 掃除

Limpar também é Reigi

Antes e depois da prática, existe outra expressão de respeito:


Sōji (掃除) — limpeza.


Limpar o tatame.


Organizar o material.


Preparar o espaço.


Deixá-lo novamente em condições adequadas.


O Sōji possui profundidade suficiente para ter seu próprio artigo em nosso blog.


Mas, dentro do Reigi, representa algo muito concreto:


não deixamos para os outros aquilo que nós também utilizamos.


Cuidar do dōjō é respeitar aqueles que treinam nele.


E, como exploramos ao falar de Sōji e Misogi (禊), a prática da purificação →, limpar aquilo que está fora também pode nos lembrar de que existe muito a ser colocado em ordem dentro de nós.



A cerimônia de abertura


Em nosso dōjō, preservamos alguns elementos cerimoniais provenientes da minha experiência nas artes marciais japonesas.


Ao iniciar a prática, nós nos organizamos.


Adotamos seiza (正座) — a postura formal japonesa de sentar-se de joelhos sobre os calcanhares — quando apropriado.


Nós nos concentramos.


Saudamos.


Esses gestos criam uma fronteira entre aquilo que estava acontecendo antes e aquilo que está prestes a começar.


Dependendo da tradição marcial, as cerimônias de abertura podem incluir reverências, batidas de palmas, recitações ou outros elementos.


Aqui considero importante fazer uma distinção.


Não existe uma única cerimônia universal do Budō.


O número de reverências ou batidas de palmas, as palavras utilizadas e a orientação da saudação podem variar entre escolas, linhagens e tradições.


Por isso, quando preservamos uma determinada forma cerimonial na 4th Axis Jiu-Jitsu, não pretendemos afirmar:


«É assim que se faz no Japão.»


Dizemos algo muito mais preciso:


«Esta é uma tradição que recebemos e escolhemos preservar dentro do nosso dōjō.»


A tradição merece respeito.


E também merece precisão.



A cerimônia de encerramento na 4th Axis


No Brazilian Jiu-Jitsu, existe uma forma de encerramento muito difundida em nossa experiência de treinamento, tanto no Chile quanto no Brasil.


Depois da parte formal da aula, os praticantes começam a passar, um a um, diante do professor e dos companheiros.


A ordem costuma começar pelo praticante de maior graduação ou tempo de prática.


Ele saúda primeiro o professor e depois passa para o outro lado.


O próximo faz o mesmo e se junta àqueles que já saudaram.


A fila vai crescendo.


E assim sucessivamente, até que todos tenham passado.



Uma tradição que ganhou uma forma própria


Quando treino no Brasil, muitas vezes essa saudação final possui um caráter mais descontraído.


Os alunos vão passando, cumprimentando-se com um toque de mãos, de maneira próxima e espontânea.


É muito brasileiro.


Marcial, mas acolhedor.


Formal sem precisar ser rígido.


Com o tempo, incorporei essa ideia à nossa prática na 4th Axis Jiu-Jitsu, embora nossa forma tenha acabado por desenvolver uma identidade própria.


Quando cada aluno chega diante de mim, cruzamos os braços e nos cumprimentamos.


Muitas vezes pronunciamos juntos um:


OSSU.


Forte.


Enérgico.


Marcial.


Outras vezes surge:


Onegaishimasu.


Uma expressão diferente, que transmite disposição, respeito e a vontade de continuar aprendendo juntos.


Apertamos as mãos.


Nós nos aproximamos até encostar os ombros.


E completamos a saudação com algumas palmadas nas costas.


Não existe aqui uma fórmula completamente mecânica.


Às vezes é Ossu.


Às vezes é Onegaishimasu.


O importante não é apenas a palavra.


É aquilo que estamos comunicando.


Respeito.


Confiança.


Companheirismo.


E a vontade de continuar caminhando juntos.



A saudação como reconhecimento


Mas, há algum tempo, comecei a acrescentar algo mais.


Eu lhes digo alguma coisa.


Não uma frase cerimonial.


Algo verdadeiro.


«Você está melhorando muito.»


«Tenho orgulho do seu progresso.»


«A cada dia você está mais forte.»


«Você foi muito bem hoje.»


Às vezes menciono algo concreto que observei durante a aula.


Um movimento que finalmente começou a funcionar.


Uma atitude.


Uma dificuldade que conseguiu superar.


Uma melhora que talvez ele próprio ainda não tivesse percebido.


E, com o tempo, comecei a observar algo que me fez compreender o verdadeiro valor daquele momento:


essas palavras importam.


Muitos jovens chegam ao dōjō carregando dificuldades que nem sempre conseguimos ver.


Inseguranças.


Frustrações.


Problemas pessoais.


Dúvidas sobre suas próprias capacidades.


Alguns provavelmente recebem muitas correções ao longo da vida e pouquíssimas vezes escutam:


«Tenho orgulho de você.»


Por isso, procuro fazer com que cada aluno saia do tatame sabendo algo importante:


alguém viu seu esforço.


Não se trata de distribuir elogios gratuitamente.


Nem de dizer que tudo foi perfeito.


O reconhecimento tem valor justamente porque deve ser sincero.


Trata-se de aprender a observar o progresso e reconhecê-lo quando ele acontece.


Porque ensinar não consiste apenas em apontar aquilo que ainda está errado.


Também consiste em ajudar o aluno a reconhecer aquilo que já está construindo bem.



O último aluno


A sequência continua.


Depois de saudar, cada aluno passa para o outro lado e se junta àqueles que já terminaram.


Então vem o próximo.


E o próximo.


Até que finalmente chega o praticante mais novo.


O Kōhai.


Paradoxalmente, sendo o último a passar, ele acaba tendo diante de si todos aqueles que percorreram o caminho antes dele.


Professor.


Senpai.


Companheiros.


Todos.


E ele também recebe a saudação de cada um.


Porque ser o último da fila não significa ser o menos importante.


Significa simplesmente ter começado depois.


Algum dia, se permanecer no caminho, será ele quem estará esperando do outro lado para receber alguém que está apenas começando.


Dessa maneira, a fila deixa de representar apenas uma hierarquia.


Ela também se transforma em uma imagem do caminho.


Alguns começaram antes.


Outros começaram depois.


Mas todos estamos percorrendo o mesmo caminho.



O encerramento formal


Uma vez concluída a saudação individual entre os praticantes, chega o encerramento formal.


O Senpai conduz a saudação ao instrutor:


Sensei ni rei — 先生に礼


Todos saúdam o professor.


Depois, realiza-se a saudação ao Senpai, encerrando formalmente a aula.


Em nosso dōjō, essa sequência não pretende estabelecer que uma pessoa possui mais valor do que outra.


Ela cumpre uma função de ordem, tradição e reconhecimento dentro do grupo.


O professor recebe a saudação.


Mas também a devolve.


Porque o respeito não segue em uma única direção.


O aluno agradece pelo ensinamento.

O professor agradece pela confiança.


Podemos ocupar lugares diferentes dentro do dōjō.


Mas continuamos compartilhando o mesmo caminho.



Forma e princípio


Aqui encontramos uma distinção fundamental para nossa maneira de ensinar.


As formas podem mudar.

Os princípios permanecem.


Podemos saudar em pé.


Podemos saudar em seiza.


Podemos utilizar determinadas palavras japonesas.


Podemos incorporar uma saudação aprendida no Brasil.


Podemos desenvolver uma maneira própria de expressá-la dentro da 4th Axis.


Nada disso deveria nos fazer perder de vista aquilo que procuramos cultivar:


Respeito.


Gratidão.


Presença.


Disciplina.


Humildade.


Responsabilidade.


Cuidado.


A forma existe para nos ajudar a recordar o princípio.


Nunca deveríamos acabar protegendo a forma enquanto esquecemos aquilo que ela procurava nos ensinar.



Reigi e hierarquia


Também existe um perigo.


A etiqueta pode ser utilizada para educar.


Mas também pode ser utilizada para alimentar precisamente aquilo que procuramos controlar:


o ego.


«Eu sou faixa preta.»


«Eu sou Senpai.»


«Eu sou Sensei.»


«Você deve me saudar.»


«Você deve me obedecer.»


Quando a etiqueta começa a ser utilizada para exigir reconhecimento em vez de oferecer respeito, algo se inverteu.


Uma hierarquia técnica pode ser útil.


Ela permite organizar o ensino.


Reconhecer a experiência.


Atribuir responsabilidades.


Mas nunca deveria se transformar em uma hierarquia do valor humano.


A faixa indica responsabilidade, não superioridade.


Quanto maior for nossa graduação, mais deveríamos demonstrar Reigi.


Não exigi-lo.



Reigi dentro do Sistema Maximus


Dentro do Sistema Maximus 3-4-5, o Reigi atravessa toda a nossa metodologia.


Não pertence exclusivamente a uma técnica ou fase.


Está presente na maneira como utilizamos nosso Corpo.


Em como construímos nosso Escudo sem causar danos desnecessários.


Em como utilizamos nossa Espada com controle.


E especialmente em nossa Vontade: a capacidade de governar nossas decisões mesmo quando estamos sob pressão.


Também aparece claramente em nossos 5 Ideais.


Proteger a vida

A técnica é utilizada com responsabilidade.


Cultivar a força

Desenvolvemos capacidade acompanhada de autocontrole.


Honrar o caminho

Reconhecemos aquilo que recebemos e aqueles que o transmitiram.


Cuidar do companheiro

Compreendemos que a segurança dele também é nossa responsabilidade.


Aceitar o que não posso controlar

Aprendemos a governar nossa conduta, mesmo quando não podemos governar a conduta dos outros.


Assim, o Reigi não precisa se transformar em um sexto ideal.


Ele está contido em todos eles.



A etiqueta fora do tatame


E talvez esta seja a prova mais importante.


É relativamente simples nos comportarmos corretamente durante uma cerimônia.


Existem regras.


Todos estão olhando.


Sabemos o que fazer.


A verdadeira pergunta começa quando saímos do dōjō.


Como tratamos alguém que não pode nos oferecer nada?


Como respondemos quando estamos irritados?


Como falamos de alguém que não está presente?


Como reagimos quando estamos errados?


Como tratamos quem possui menos experiência, poder ou reconhecimento do que nós?


Continuamos demonstrando respeito quando ninguém pode nos obrigar?


Se o Reigi existe apenas enquanto vestimos o Gi, provavelmente ainda não o compreendemos.


O dōjō é o lugar onde praticamos aquilo que depois teremos de levar para fora.



A verdadeira saudação


Com o passar dos anos, podemos aperfeiçoar nossa reverência.


Aprender quando entrar.


Onde nos sentar.


Que palavra utilizar.


Como arrumar nossa faixa.


Tudo isso tem valor.


Mas existe algo muito mais difícil.


Aprender a escutar.


Aprender a agradecer.


Aprender a cuidar.


Aprender a controlar nossa força.


Aprender a reconhecer nossos erros.


Aprender a respeitar mesmo quando não concordamos.


Aprender a servir sem nos sentirmos inferiores.


E aprender a liderar sem nos sentirmos superiores.


Talvez seja aí que comece o verdadeiro Reigi.


Porque, no fim:


A etiqueta é a forma exterior. O respeito é aquilo que deve permanecer quando a forma desaparece.


4th Axis Jiu-Jitsu · Faixa Preta · IBJJF


Sistemas sobre técnicas.

Técnica, caráter e respeito.

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